Com CRM roubado de uma dermatologista, ela trabalhava no pronto socorro da Santa Casa de Ibirá
Marco Antonio dos Santos
Marco Antonio dos Santos
A falsa médica Kelly Regiane Queiroz, presa na última segunda-feira, 23, por exercício ilegal da profissão, também chegou a dar aulas práticas no pronto-socorro da Santa Casa de Ibirá para alunos do 6º ano do curso de medicina da Unilago.
A revelação de que Kelly estaria utilizando o número de registro no Conselho Regional de Medicina (CRM) roubado da dermatologista Kelly Queiroz Cardoso constrangeu os estudantes, mas não os deixaram surpresos, porque já havia desconfiança com relação a sua atuação profissional.
Por convênio, a Unilago envia os estudantes de medicina para fazer aulas práticas no pronto socorro da Santa Casa de Ibirá. Os médicos plantonistas são preceptores de internato, profissionais formados que supervisionam a formação dos alunos do curso.
O Conselho Federal de Medicina é tão rigoroso com relação a quem pode assumir a função de ser preceptores de internato de estudantes de medicina que não permite que o trabalho seja feito por enfermeiros ou profissional de saúde de outra área.
Kelly trabalhou por quatro meses no pronto socorro da Santa Casa de Ibirá, sempre dando plantão de 12 horas nas segundas-feiras. Foi neste período que ela fez a supervisão do internato dos estudantes de medicina.
A prisão de Kelly por exercício ilegal de profissão não surpreendeu os estudantes supervisionados, que chegaram a desconfiar dos procedimentos adotados por ela durante os atendimentos médicos.
De acordo com estudantes, Kelly não sabia interpretar exames, receitava dosagens exageradas de medicamento, era imprecisa nos diagnósticos e chegava a deixar os alunos sozinhos durante os atendimentos aos pacientes.
Um dos estudantes chegou a postar em um grupo fechado de estudantes de medicina da Unilago em rede social que não tinha ficado surpreso com a prisão da falsa médica.
"Que vergonha. Preceptora de internato !!! Ensinando muito. Quem passou meia hora com ela já viu que não tionha condições de ensinar", postou o estudante.
Os estudantes procurados pelo Diário demonstraram estarem constrangidos com o fato de terem sido colocados para ter aulas práticas com uma falsa médica e preferem não serem identificados com receio de terem a reputação manchada com o caso.
Por meio de sua assessoria de imprensa, a Unilago confirmou que os alunos do curso de medicina têm aulas práticas na Santa Casa de Ibirá, por meio de convênio entre as duas instituições. Os alunos são enviados para o pronto socorro do hospital, onde acompanham os atendimentos dos médicos plantonistas.
Como Kelly estava contratada como plantonista, exerceu a função de preceptora de internato dos estudantes durante os atendimentos aos moradores de Ibirá.
A instituição diz que a responsabilidade de contratação da profissional que orientou os alunos é da direção do hospital. A faculdade não revelou se irá adotar alguma medida contra a Santa Casa.
Por sua vez, a direção da Santa Casa limitou-se a enviar, por e-mail, a mesma nota emitida na segunda-feira, 23, quando a falsa médica foi presa. O hospital não responde aos questionamentos sobre o risco da mulher ter ministrado aulas práticas para alunos de medicina.
Outro lado
Por meio da assessoria de imprensa, a Unilago confirmou que os alunos do curso de medicina têm aulas práticas na Santa Casa de Ibirá, por meio de convênio entre as duas instituições. Os alunos são enviados para o pronto-socorro do hospital, onde acompanham os atendimentos dos médicos plantonistas.
“A Unilago não responsabiliza a Santa Casa de Misericórdia de Ibirá pelo fato ocorrido. A instituição declara apenas que a referida profissional fazia parte do corpo clinico da Santa Casa, a exemplo de outros profissionais médicos. Outros questionamentos e eventuais duvidas deverão ser encaminhados para o jurídico do referido hospital,” informou a nota.
A faculdade diz ainda que mantém a parceria com a unidade há muitos anos, sem a “existência de qualquer fato que desabone a sua conduta médica e profissional”.
A suspeita foi transferida na quarta-feira, dia 25, para a Penitenciária Feminina de Pirajuí. O advogado dela, André Nardini, disse que a pedido da cliente não vai se pronunciar sobre o assunto.
Mulher atuou em 5 cidades
A Polícia Civil confirmou nesta quinta-feira, dia 26, a quinta cidade em que a falsa médica atuou utilizando os documentos de uma dermatologista. Além de Ibirá, a mulher trabalhou em plantões em Paulo de Faria, Orindiúva, Macaubal e Pindorama.
A estimativa é de que a falsa médica tenha atendido 400 pessoas em Ibirá e outras 200 em Paulo de Faria. Os outros hospitais estão fazendo levantamento.
Segundo o delegado Roberval Macedo, Kelly disse em depoimento que também atuou em plantões em Rio Preto, mas não informou em qual hospital. Outro indício que ela trabalhou na cidade é o fato dela ter aberto conta bancária em uma agência do Santander que funciona dentro do Hospital de Base - por meio desta conta, segundo o delegado, ela emitiu R$ 120 mil em cheques sem fundo. A direção do HB nega que a mulher tenha trabalhado na unidade.
As prefeituras das cidades citadas informaram que estão pesquisando os dados referentes a contratação e tempo de trabalho de Kelly
A Polícia também investiga se a mulher trabalhou em outras cidades, incluindo Catanduva.(MAS)
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